Migrei para o WordPress. O Blogger é uma merda mesmo. Nem sei se vou catar os posts antigos. Deixarei lá, desapego. Oito meses e três semanas, falta pouco para terminar meu primeiro livro de poemas. Um poema para cada pessoa querida, o livro é simples assim. E o recado é muito claro: Vocês nunca devem chegar ao velório com sentimento de que não manifestaram o seu amor por quem finalmente ganhou descanso. Olha aí uma provinha:

SOLUCIONÁTICA

(Para Botika)

ser o anjo do demônio
na obrigação da felicidade
na redenção do sexo
na solução do sonho

O AMOR EM FORMA DE GENTE

(Para Flávio Brasil)

sonhavam mil meninas
que o amor em forma de gente

beijaria suas calcinhas
causando cegueira em vidente

RONDA

(Para Carolina Passos)

Carolina, você não tinha o direito de pular. Você não tinha direito de se transformar no meu penhasco. Porque eu sou bem moço e já tenho o meu próprio penhasco (um grande e confortável penhasco de três quartos na Barra). Carolina, sua filha da puta. Eu te amo, eu te amo, eu te amo e merecia muito muito muito morrer bem antes de você. Porque eu sou bem moço e já tenho o meu próprio penhasco (um penhasco com vista para o mar). E porque eu não merecia, eu simplesmente não merecia. Não sou melhor do que ninguém, mas eu não merecia mendigar a Deus que você volte, toda durinha, linda linda linda de doer, só para ouvir os palavrões dos homens rudes que bebem nos bares, dos homens nojentos que nunca lhe amaram. Mas eu? Eu não merecia, eu sempre te amei e não merecia. Eu te odeio, sua filha da puta. Você é quem merecia me ver morrer todos os dias, Carolina. Você é uma filha da puta e eu te amo e juro que te odiarei para sempre. Porque eu deitei sobre sua sepultura com a garganta em sangue e quarenta graus de febre. Porque eu gritei que te amo e que te odeio e que te amo e que te odeio para Botafogo inteiro ouvir. “Saudades eternas”, eu vi que seu nome estava bordado em uma coroa de flores, ao lado da minha sentença. Você não tinha o direito de ser meu penhasco, sua filha da puta. Eu te amo, se você soubesse o quanto eu te odeio.

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